Ele não sabe, mas eu ainda estou lá. Mesmo com as malas desfeitas, com o meu amor desprovido daquelas delicadezas, permaneço. Com um desejo maior que o ontem, com o coração mais cansado ainda. Não sei deixá - lo. Desaprendi de mim. Não sei viver sem o sorriso que me move, sem as mãos que dominam, sem o teor do suor que conhece tão bem as curvas do corpo, sem aquela presença que nutre arrepios e me disseca em pontos de saudade. Eu gosto e não disfarço. Por isso amanheço lá, no meu ponto de partida, na minha chegada, no meio – termo do dia. Naquele dia todo em que entrego os meus maiores cuidados, toda a minha espera, toda a minha agonia, toda a bobagem que acontece quando me deixo. E ele? Ele só sabe ser demora, um sorriso que salva, uma pele que gruda, um amor que reluta, uma estrada no meu caminho, uma canção descompassada no meu corpo. Ele só sabe ser o todo. E do todo, sei que sou quase tudo mas ele...ele ainda não sabe.
(Priscila Rôde)




5 comentários:
Ele?! A salvação de todos os meus devaneios. Mais intenso impossível, já sabes, sou fã!
Obrigada pela visita, viu! Fiquei muito feliz pelo carinho.
Um beijo, Flor!
;)
Bonito, intenso!
:)
Bjos sinceros!
:*
Priscila, minha querida escritora predileta. A postagem é linda, contudo o modo como você escreve o que sente é um dom de Deus.
Veja que lindo:
"E do todo, sei que sou quase tudo mas ele...ele ainda não sabe".
Essa minha amiga querida é fôfa até no "cérebro".
Um beijo com muito carinho.
Manoel.
Será que ele não sabe?
Às vezes a gente finge não saber simplesmente porque não quer ver...
lindo texto, como sempre Pri =)
beeijão!
Nooossa, amei perfeitamente, amei cada palavra, amei porque senti, senti cada letra dentro de mim, e porque senti cada pedacinho correr em minhas veias, pois é como se cada palavra também pudesse ser proferida de minha boca.
Parabéns, sucesso!
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