sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Piegas.






Então fica ai, enquanto eu molho meu cabelo na chuva pra ver se passa essa minha vontade louca de fugir. Pra ver se passa a sensação de correr em uma cidade cinza com a roupa colorida, pra ver se eu não tenho um coração feito de açúcar, porque meu bem, há um tempo ando percebendo que ele se dissolve em suas mãos molhadas de promessas.
_

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Eloquente.



Costurou os lábios para que as palavras não gritassem com o mundo, e costurou sozinha, com a dor de uma vontade fútil, depois foi até o fim e fez o nó.
Quis silenciar as verdades mais comprometedoras, e trancou entre os dentes as vontades desvairadas e abafou os sonhos de uma única vez. Deixou lá dentro a ferrugem e sal, fez de si, o tumulo dos segredos fáceis.
E arranhava, mordia e rasgava, ficou com um buraco, e se fez de boneca. Boneca de pano que tem as juntas feitas de linha e olhos opacos de botão. Deixou as unhas na pele, tentando tirar o coração de uma única vez pra ver se para de doer.
Quando fechou os olhos, sentiu o pecado lhe corroer. Fez dos olhos gota ácida, que brota e machuca a pele das coxas. Quis ser nada, corpo sem voz que chora de verdade e coloca a culpa no orgulho. Que faz chover no peito pra fingir que não mente com os olhos.
Ficou nua, a mercê de decepções, quis segurar o cigarro e engolir o choro, como se isso a fizesse imortal. Costurou os lábios para que as verdades não fugissem mundo a fora, e costurou sozinha, com a dor de uma vontade fútil, verdade. Porém agora, morre aos poucos e faz vazar versos. Versos vermelhos e quentes, sangue puro de pecados e sonhos. Sangra por não querer ser a voz das letras que saem aos montes dos olhos, e depois se faz de morta com o coração na mão, pra ver se agora é mais fácil sorrir mentiras e cuspir desilusões.

_

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

-Eu te amo!

E quando ele diz assim, tão de perto, tão sincero, eu perco. As palavras e o controle. E fico aflita por não conseguir dizer o que sinto. Então eu o abraço e espero que ele entenda.
Prefiro sentir a dizer.

domingo, 29 de novembro de 2009

A moça Lua;


Não anda nua. Nem quer um par. Usa vestido de laço, planta abraços entre os vãos da mansão. Sabe sentir. Já e fluir. Transpira fases [daí o nome, a moça lua] , escreve frases. Se não houver papel, haverá pele escrita

* Imagem: Google

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

façamos que o tempo pare.
que hoje seja hoje sempre;
e que o pra sempre seja todo dia.

que sua voz me acalante;
que tuas mãos sigam as minhas.

e que esse amor de poetas amantes
não pare, mas permaneça nas linhas
deste livro que me entregaste.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Queda.



E eu te sinto constantemente aqui, entre meus lábios úmidos de fruta fresca e entre meu colo cheio de promessas não compridas.
É que parece tudo tão distante e tão forte ao mesmo tempo, que eu me perco em certos detalhes, o sol batendo no meu cabelo escuro e queimando minha face morena, sorrio exausta para o céu azul, e minhas despedidas vazam por meus poros com gotas de suor de uma tarde quente, sorrio de novo, você esta ali também.
E te sinto cair, em queda livre, mas é algo tão suave que não me preocupo em olhar, simplesmente te sinto caindo, caindo em minhas juntas, dentes e veias. Tomando conta de meus suores sorrisos e suspiros, você cai em mim perfeitamente. Sorrio para dentro, pra você.
Porque não é como se jogar de um precipício e ver a vida em alguns instantes, não, é como pular da janela da sua alma e finalmente poder  voar, de olhos e coração abertos, engolindo toda e qualquer pretensão que seja amar. Porque isso meu bem, te cai perfeitamente bem.


.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

São Paulo , 04 de novembro de 2009.

Rapaz,eu não queria que fosse assim.Eu até te pedi para não ser assim,quase te implorei.Mas parece não ter adiantado...você parece gostar disso,desse jogo de me machucar e me corroer , e depois vem sorrateiramente me pedindo desculpas, reduzindo minhas lágrimas a nada.Fazendo com que eu traduza toda minha dor em um "sim" que sai apertado por entre os dentes , um sim doído.Não só o sim é doído , tudo aqui tem sido assim.

E , perceba , eu fiquei num beco sem saída.Ou eu fugia da dor , ou ela não teria dúvidas nem pena e me puxaria pelos braços , brincando comigo e me fazendo chorar.Ela me puxaria toda noite e faria com quem eu me arrastasse chorando por entre os lençóis ao ponto de não saber se dormia numa cama ou numa poça d'água.Acho que você sabe pelo que eu optei.

Por ter optado por mim , eu te escrevo , para que saibas que verdadeiramente eu amei , e não sei em que parte disso eu errei , e nem sei se fui eu que errei , aliás.O que importa é que erramos, talvez eu por ter amado demais , talvez você por ter se importado de menos,mas erramos.E por esse erro , eu paguei um preço caro , paguei o preço de noites em claro e dias exaustivos.Paguei o preço da dor - e que me desculpe a velha rima - porque desejei apenas amor.

Mas , espero que entendas.Porque afinal a culpa não foi só minha.Eu e você não dependia só de mim.Éramos nós e isso bastava.Mas agora,agora sinto dizer-lhe que terei que matar todas as borboletas que brotarem do meu estômago ao ouvir sua voz.Agora terei que ter corpo de borracha para não sentir teu magnetismo quando você chegar perto de mim.Eu terei que apagar todas as estrelas que brotarem em meus olhos ao ver você no horizonte.

A partir de agora eu terei que ser eu , sozinha , mesmo que isso doa.


Com todo amor que só a ti dediquei ,



Isis.

Ps:Ficticio,ou melhor dizendo,pseudo-ficticio;